domingo, 30 de março de 2008

Fichamento do texto: BERMAM, Marshall. (2007).Modernidade:Ontem,Hoje e Amanha. Tudo que é Sólido se Desmancha no Ar - Uma Aventura na Modernidade.

A primeira visão que nos é introduzida pelo autor busca retratar a Modernidade como sendo um conjunto de experiências vitais atuantes diretamente nas questões espaciais e temporais na qual a humanidade é submetida e onde exerce nessa alguma transformação.
A Modernidade é entendendida, sobretudo, pela ótica que se operam essas transformações, sendo possíveis e plausíveis em todos os níveis da realidade social, indo do nível jurídico, político, econômico, social até o ideológico. Dessa forma, a modernidade representou para muitas das pessoas e sociedades que a experimentaram, uma ameaça direta a sua história, suas tradições e valores. E para outros, este mesmo processo operou-se como veículo do progresso e das transformações que este necessitava.
Buscando uma melhor compreensão da magnitude da experiência moderna e, sobretudo, de sua história, o autor divide-a em três fases distintas ao mesmo tempo que, interligadas.
A primeira fase corresponde ao advento sofrido pelas sociedades européias no início do século XVI até o final do século XVIII, retrata a incapacidade ou a falta de compreensão de que aquelas sociedades enxergavam as mudanças e as transformações que vinham sofrendo e como às compartilhavam. A segunda fase inicia-se com a pungente onda revolucionária do final do século XVIII, mas precisamente com a Revolução Francesa e sua influência nos demais fatos posteriores a ela. A presença de uma sociedade que partilha seus ideais e acima de tudo,os propaga aos demais níveis de suas vidas,sendo pessoal,político ou social. Ao passo que, essa mesma sociedade ainda possui valores arraigados na tradição material e espiritual que desenvolveram nos séculos anteriores, faz-los viver em um mundo que não chega à modernidade por inteiro, compartilha apenas alguns pontos com esta.
No século XX, porém, onde se tem início à terceira fase, como colocada pelo autor, observa-se o processo de expansão da modernidade, de seus valores, abarcando de forma metafórica, o mundo por inteiro. Desse advento moderno, encontramos e nos deparamos com uma sociedade múltipla e multifacetada, onde o contato com suas próprias raízes perdeu-se nas transformações que se seguiram.
Posterior a essas idéias iniciais sobre a Modernidade e suas repercussões, inicia-se uma serie de discursos sobre grandes pensadores e sobre os papéis que esses desempenharam na construção de um pensamento a cerca da Modernidade e dos valores a ela empregados.
O primeiro desses pensadores citados pelo autor é Rousseau, sendo o expoente inicial a utilizar a palavra moderniste banhando-a no sentido que passa a ser empregada nos séculos XIX e XX e um dos precursores do pensamento social acerca das condições de vida a que a sociedade européia era submetida e que de certa forma, moldava sua vida e suas relações sociais. Nesse sentido passa a construir a atmosfera que origina a sensibilidade moderna posterior.
Permeando o discurso com olhares sobre a sociedade dos séculos XVI ao XX, o texto nos transporta agora para o que o autor chama das “duas maiores vozes do século XIX”: Nietzsche e Marx e onde o pensamento construído por ambos muda drasticamente a forma de se encarar e perceber o advento da Modernidade.
Marx opera seu discurso nas transformações que se operam quando o pensamento reacionário infla as classes trabalhadoras.

“[...] as forças de vanguarda da sociedade devem ser governadas pelos homens de vanguarda, e esses são os operários. Eles são uma invenção dos tempos modernos, tanto quanto o próprio maquinário.”

Dessa forma, os homens modernos são aqueles capazes de absorver contradições do tempo que vivem, superando as pressões e as transformações que se operam no campo social, político e econômico.
Marx conclui ainda que uma das principais características do modernismo seja a capacidade deste de deixar suas interrogações ecoando no ar, muito tempo depois dos próprios interrogadores e suas respostas sobre o mundo e a sociedade já terem se retirado de cena.
Alguns anos posteriores a Marx, Nietzsche fundamente seu pensamento na transformação que se opera na forma do homem moderno enxergar a si e a sua crença em certos valores. Mostra ainda a ausência e o vazio de certos apreços, ao tempo que surgem milhares de novas possibilidades e interpretações sobre diversas questões fundamentalmente humanas.
Os valores do século XX por sua vez, passam a enxergar o advento da modernidade como estando estagnado ou mesmo regredindo em alguns pontos. Pensadores desse período analisam os fatos por uma expectativa fechada onde o advento das transformações passa a ser encarado como um fato que não mais pode ser alterado pelo homem moderno.Onde o homem desse tempo é condicionado pela modernização a sua volta.
O texto encerra-se mostrando os contrapontos existentes nas visões que a Modernidade opera através dos séculos, nas visões que os diferentes pensadores tiveram sobre um mesmo fato, que permeia a humanidade e que continuará permeando-a enquanto os homens buscarem mudanças e transformações.

Nenhum comentário: