Fichamento do texto: FALCON, Francisco José Calazans. (2000)O capitalismo unifica o mundo. In O Século XX – Volume 1: O Tempo das Certezas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,pp. 13- 76.
Inicialmente somos apresentados à visão do autor sobre a construção de uma “história” do capitalismo e dos meios com o qual este se perpetuou como o modelo vigente da Modernidade. Além disso,nos deparamos também com as formas e modelos de conceitualização que este e tudo aquilo que o cerca,vieram sofrendo ao longo dos séculos.
A primeira idéia que nos é introduzida refere-se à construção do pensamento e do papel dos “mercados” nas sociedades modernas. Desde sua conceitualização como espaço de trocas, compras e vendas do período medieval até sua caracterização como área e setor das atividades relacionadas ao capital, na modernidade. Este aspecto fica evidente na passagem:
“O mercado genérico é então algo como um “sistema” de dimensões variáveis que articula todo um conjunto de mercados concretos, de produtos destinados ao consumo ou a novos negócios, ou de fatores de produção (terra, capitais, trabalho)”. “(p15)”.
Ainda sobre a construção dos “mercados”, o autor analisa sua formação pelo viés destes terem se constituído ainda no século XVI e tendo se desenvolvido e se aperfeiçoado ao longo dos séculos até seu apogeu máximo e caracterizações posteriores como as que passa a ter ao final do séc. XVIII.
O segundo conceito que é buscado definir nessa primeira parte do texto, refere-se à idéia do capitalismo e da abrangência que esse designa.
“[...] temos então o capitalismo como “produção para o lucro num mercado” ou, ainda, a “busca e a realização do lucro através da comercialização de mercadorias”” (p 16).
Esse aspecto faz com que o autor analise o capitalismo seguindo dois aspectos desse, duas implicações que culminam no entendimento do conceito que é dado a esse mecanismo. O primeiro deles busca definir o surgimento real do conceito de capitalismo,indo desde a formação dos Estados Modernos europeus e dos processos que levaram ao surgimento das relações mundiais entres as grandes nações,suas colônias e mesmo entre elas.
O segundo ponto ressaltado no texto refere-se à constituição do mercado mundial como pertencente aos princípios da Era Moderna e tendo como objetivo concreto, a articulação de vários modos de produção. Sendo assim,o mercado mundial age como um sistema de integração e hierarquização de regiões e modos de produção distintos a essas.
Após essas questões iniciais a cerca da conceitualização de valores modernos, o autor nos leva a análise da formação de um mundo ocidental regido, basicamente, pelo pensamento europeu. Dessa forma, as questões associadas as diferentes regiões globais e aos distintos mercados mundiais formados por essas regiões, no caso do texto, centradas nos pensamentos dos três grandes impérios fora da Europa, o turco, o chinês e o indiano,se constroem sobre uma ótica permeada por valores que não os correspondem,tornando-os a visão criada pelo pensamento ocidental, dispares demais a civilização e aos conceitos de civilidade.
Pela visão européia, a expansão comercial só seria possível pelo viés de uma expansão espacial simultânea e paralela à primeira, sendo assim observamos que os pontos principais a esse fator dão-se pelas constantes crises do antigo sistema de valores que permeavam a economia européia, sendo o principal deles a crise do “antigo regime econômico”, centrado quase que exclusivamente na vida campesina e rural a que as sociedades estavam habituadas anteriormente. Nesse aspecto, a busca por novas áreas de influencia e o advento ocasionado pela Revolução Industrial criam na “Velho Continente” uma serie de transformações que acarretam no desenvolvimento e na manutenção posterior dos valores tipicamente europeus e de suas cidades.
O decorrer do texto somos levados a uma serie de análises sobre as diversas zonas de influencia capitalista no mundo e principalmente, associado a esta, a influencia européia dentro dos valores dessas sociedades que se criaram fora dela.
A segunda parte do texto inicia-se o debate sobre o capitalismo moderno e as conseqüências que este trouxe ao advento da Modernidade. Sobre esta óptica somos apresentados a uma serie de questões associadas ao descontentamento social com o modelo que vinha os guiando ate então,um serie de criticas a modelo de vida e aos valores que se tinham arraigado a sociedade,uma constante reflexão e busca pelo tradicionalismo que agora fazia-se perdido.
Nesse ponto ainda, somos apresentados as questões referentes às zonas de colonização e de re-colonização, indo das questões referentes à África, ao Egito e a Argélia em contraponto as associadas às Américas e a Ásia.
Sendo assim, a busca por um entendimento a cerca do capitalismo, é uma busca sobre o entendimento de sua construção primordial e de todas as transformações que esse sofreu e que fez sofrer as sociedades que o adotaram como modelo vigente, e principalmente, a cerca de o quanto essas transformações afetaram o mundo que hoje conhecemos e buscamos compreender.
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